Prefácio Editorial
Os lançamentos da série Perry Rhodan na quinzena atual trazem um marco que constitui motivo de grande orgulho para a SSPG Editora e para os leitores de suas edições: com eles, a editora alcança a marca de 1.000 episódios lançados do universo da série, que inclui a série-irmã Atlan. Além disso, há poucas semanas, celebrou-se o aniversário de 25 anos do lançamento do primeiro volume da edição da SSPG. Essas marcas representam um feito de elevada relevância e que pareceria profundamente distante quando do início do projeto de publicação da série pela editora, em 2001.
Por falar em início, há uma boa parcela dos leitores atuais que acompanha essa trajetória da editora desde seus primórdios, mas, para muitos outros deles (e que possivelmente são maioria hoje em dia), essa trajetória deve ser em parte desconhecida — o que faz valer a pena recapitular os pontos principais pelos quais passaram a editora e os leitores em todo esse tempo.
A presença de Perry Rhodan hoje no Brasil tem como base os esforços do Perry Rhodan Fã Clube do Brasil, que, na década de 1990, capitaneou uma iniciativa ingente de fãs dedicados para tentar trazer de volta a publicação ao nosso país. Esse empenho culminou no projeto assumido pela SSPG Editora, que, em negociação com a editora alemã VPM, conseguiu celebrar o contrato para iniciar essa nova edição após dez anos de hiato. O engajamento dos fãs no sistema de assinatura da editora foi fundamental para dar sustentação inicial ao projeto. Com isso, o ciclo a partir do nº 650 surgiu com volumes duplos e periodicidade mensal.
Um projeto dessa natureza, enfocando um produto literário de nicho na ficção científica sem a extensa estrutura de um grande conglomerado editorial, certamente não deixaria de enfrentar seus percalços pelo caminho. Ainda mais numa época em que não se contava com tantas facilidades tecnológicas de produção, comunicação e impressão existentes hoje em dia. Porém, o primeiro dos grandes baques sofridos peal editora veio de forma totalmente inesperada, com a perda precoce de sua inestimável e dedicada colaboradora Laurinda Alves no início de 2002. Esse momento quase levou ao encerramento prematuro da edição antes mesmo do seu primeiro aniversário, mas a equipe da editora deu conta de se reerguer e retomar em pouco tempo os lançamentos.
Em 2003, com a conclusão do seu primeiro ciclo publicado, a SSPG expandiu o ritmo e passou a edição para a periodicidade quinzenal, dobrando os lançamentos, a partir do nº 700. Infelizmente, porém, as dificuldades sofridas pela editora em manter a regularidade das datas de lançamento e o gradual descompasso entre o crescimento da sua estrutura física e a adesão e acompanhamento dos leitores levou a dificuldades financeiras que resultaram na suspensão da edição no início de 2007.
Foi um período doído que se seguiu, com a decepção dos leitores e os graves prejuízos financeiros que trouxeram imensas dores de cabeça à equipe da editora, com duras consequências pessoais, mas, com base na obstinada determinação de respeitar e cumprir o investimento feito pelos assinantes, a SSPG nunca encarou esse momento como um fim do projeto, e sim como uma pausa, ainda que prolongada, para se recolocar de pé. Dessa forma, com uma nova visão de organização e estrutura, a SSPG conseguiu retomar a edição em 2014, dessa vez em formato digital, com o auxílio do amadurecimento dessa modalidade de publicação ao longo dos anos anteriores.
Em 2015, uma antiga proposta da editora se viu realizada, com o lançamento do hiato a partir do nº 537 (no qual a série tinha sido interrompida pela antiga editora na década de 1990). Foi uma iniciativa bem-recebida pelos leitores, tanto que, no início de 2018, passou a ter periodicidade quinzenal.
O ano de 2018 trouxe outros bons auspícios ao projeto da SSPG, com perspectivas de expansões nos lançamentos e a visita de sua equipe à sede da editora alemã, ocasião em que um novo contrato foi assinado para essa expansão. Essas perspectivas e contatos levaram ao lançamento de uma nova frente de publicação em paralelo no início de 2019, a partir do nº 1800. Além disso, em março do mesmo ano, a primeira série derivada de Perry Rhodan chegou às mãos dos leitores, com Atlan, matando a curiosidade sobre a saga desse personagem icônico em seu exílio no passado da Terra.
É importante ressaltar que todas essas expansões foram fruto de pesquisas realizadas pela SSPG entre os leitores, marcando a característica da editora de dar espaço aos anseios dos fãs, dentro de sua viabilidade econômica, e conduzir com isso os rumos da série a campos que trouxessem maior resultado tanto em termos de retorno financeiro quanto de satisfação dos leitores.
Novas pesquisas levaram em 2021 a muitas novidades no cenário do projeto da SSPG, com o retorno da edição impressa e novas frentes de publicação a partir dos nºs 1, 2700 e 3000. Com isso, a editora chegou ao portfólio atual de seis frentes de publicação simultâneas, atendendo às preferências dos antigos leitores e à necessidade de conquista de novos leitores.
Ao longo de todo esse tempo, vários marcos adicionais foram alcançados com o lançamento de volumes especiais de começo de novos ciclos, os chamados volumes de jubileu, sendo o mais marcante, muito provavelmente, o de nº 1000, publicado com muita satisfação em setembro de 2019 numa edição ímpar, repleta de materiais suplementares e uma história inigualável.
É claro que, como frisado mais acima, todo esse trajeto não foi coroado só de alegrias e conquistas. Infelizmente, o quadro de baixas vendas marcou e ainda marca o projeto da editora, a despeito das iniciativas de divulgação tanto em eventos presenciais quanto nas redes sociais. Esse cenário foi sempre frisado de forma recorrente e insistente pela editora aos leitores, em especial diante da enorme discrepância entre a quantidade de seguidores em suas redes sociais e a efetiva quantidade de compradores regulares das edições. A isso se somam os casos de pirataria da edição já enfrentados pela editora, por mais incoerente, torpe, ordinária e, acima de tudo, criminosa que seja a prática dos que insistem em obter os volumes digitais sem o devido pagamento por eles.
A SSPG nunca viu problema em reconhecer que sua iniciativa não é perfeita, que necessita de ajustes e melhorias para alcançar uma estabilidade estrutural e financeira e um esquema de produção menos exaustivo. Por isso, as críticas construtivas e bem-intencionadas foram sempre bem-vindas. Um exemplo claro disso foi o caso da edição impressa, em que a manifestação saudável daqueles que ansiavam pelo seu retorno ajudou a editora a buscar os caminhos para viabilizar essa iniciativa. Ao mesmo tempo, ficam pelo caminho as críticas sabidamente mal-intencionadas, com base em argumentos forçados e desprovidos de sustentação, visando até mesmo prejuízos à editora por parte de desavisados.
Em todo esse quadro, a SSPG chega agora ao seu milésimo episódio ainda com muitos desafios pela frente, mas insuflada pela esperança no apoio renovado, reforçado e bem sustentado de seus leitores fiéis em prol de mais marcos futuros. Há muito espaço a ser desbravado no universo editorial da série, e a SSPG espera estar em parceria sempre com os fãs abnegados nessa caminhada futura.
Obrigado a cada verdadeiro fã da série que ajudou a pavimentar essa estrada de mil alegrias e aprendizados até aqui.
Rodrigo de Lélis
Editor – Publicações Perry Rhodan
SSPG Editora
Belo Horizonte, julho de 2026

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